Bem, hoje completo vinte e cinco anos de vida ou, como diria meu sogro, 1/4 de século. Realmente percebi que isso não fez a menor diferença para mim. Nada mudou, e acho isso ótimo. Só tem uma coisa que eu nunca fui capaz de compreender. Por que hoje não é feriado? Obviamente que a indagação em questão não refere-se a comemoração anual do dia do meu nascimento. Mas, para quem ainda lembra das aulas de estudos sociais da quarta série, hoje é 22 de abril – o dia do descobrimento do Brasil.
Para aqueles que já se esqueceram, ontem foi feriado. Afinal, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi esquartejado em 21 de abril de 1792. Não possuo a intenção de menosprezar tal data, mas questiono quais critérios foram utilizados para se optar por torná-la um feriado nacional e não fazer o mesmo com o dia vinte e dois. Deve existir algum motivo para isso.
Dei uma leve “googlezada” para tentar descobrir quando e como se criaram os feriados. Infelizmente não obtive sucesso, mas preciso admitir que não gastei muitos minutos na pesquisa. A questão é que se em algum momento da história alguém ou algum grupo se reuniu para definir quais datas do ano seriam motivo de alegria para os brasileiros, os representantes legais de Pedro Alvares Cabral não estavam presentes.
Eu até imagino uma mesa redonda gigante de madeira maciça escura e reluzente com um calendário jogado sobre ela e cinquenta pessoas em volta formentando infindáveis discussões.
- Eu já falei que 7 de setembro ninguém mexe.
- Tudo bem, mas…
- Ei!? Quem riscou o aniversário da Princesa Isabel!?
Depois de muitas idas e vindas, os feriados estavam finalmente sendo alinhados com um intervalo razoavelmente médio entre eles. Tudo corria bem até que um João Ninguém, tentando mostrar serviço, incitou um daqueles questionamentos matemáticos ilógicos que só tem sentido quando analisados sob a irracionalidade da multidão.
- Olha, eu só não acho bom termos dois feriados nacionais em seguida. Sabe como é né!? Podemos deixar o povo mal acostumado.
- Claro – disse alguém no fundo da sala – senão eles vão criar um feriado atrás do outro para poder emendar.
- Ah, é verdade…
- Nossa, precisamos tomar cuidado com isso…
- Tudo bem, mas então como ficamos com esses aqui? – disse uma senhora apontando para os dias 21 e 22 de abril.
- Hummmm – todos demonstraram certa cautela e a sala foi tomada pelo silêncio.
- Situação delicada essa, não!? – disse o senhor barbudo de voz grave.
- Bem, acho que teremos que riscar um dos dois.
- Concordo…
- Eu acho melhor…
- Atenção! Ei pessoal, silêncio! Precisamos resolver esse problema. Temos os representantes da família Xavier e da família Cabral?
- Sim. Bem, pelo menos eu estou aqui – disse Manoel da Silva Xavier, tá-tá-tá-tá-tá-ra-neto de Tiradentes.
- Certo. Obrigado pela presença. E temos alguém da família Cabral? – um longo silêncio tomou conta da sala.
- Bem, devido a total negligência da família Cabral, sugiro que mantenhamos a data do dia 21 de abril como feriado. Todos concordam?
- Por mim tudo bem.
- Por mim também.
- Manda bala.
- Então está decidido. Próximo tópico.
- Vejamos – afirmou um dos senhores enquanto analisava o calendário – vamos mesmo manter 1º de maio!?
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Tudo bem, eu exagerei um pouco. Mas não vejo outra explicação, pelo menos não mais plausível que essa. E além do mais, hoje é meu aniversário. Posso escrever o que quiser. :-)