
Gosto muito de torradeiras, de verdade. Principalmente no café da manhã. Pão de forma tostado e quentinho com uma fina camada de manteiga derretida é uma combinação irresistível. Outro dia um amigo me disse que nunca teve uma torradeira. Fiquei surpreendido, tanto por esse fato quanto pelas 6 fatias de pão que comeu.
Mas mesmo sendo tão útil nas nossas vidas, a torradeira há muito tempo deixou de ser objeto de desejo. Ninguém fala “Ei, vamos lá em casa conhecer minha torradeira nova” ou “Você viu o que o marido da Lurdinha deu pra ela? Uma torradeira importada”. Hoje ela está mais para aquele presente de casamento de cinquentão. Você vai na loja onde os noivos fizeram a lista de casamento torcendo para ninguém ter comprado a torradeira ainda.
Outra questão que está diretamente relacionado as torradeiras é o avanço da internet. Conseguimos em poucos cliques comparar infinitos modelos diferentes e encontrar exatamente o que estamos procurando. E isso é muito bom, quando queremos de fato uma torradeira. Cuma? Eu explico melhor.
Há uns 4 meses atrás minha irmã passou no mestrado. Com o intuito de parabenizá-la, meu pai decidiu que ela precisava de um notebook. Foram algumas semanas procurando o tal “presente-de-bonificação-que-vai-facilitar-o-seu-mestrado”. Eu mesmo, que não convivo mais diariamente com meus pais, já estava ficando cansado com o assunto. Afinal, praticamente todos os dias meu pai encontrava um novo modelo, melhor e mais barato, graças a internet.
Depois de um bom tempo procurando, meu pai encontrou no Submarino o artefato tecnológico que supria suas expectativas. O detalhe era que não daria para entregar em Curitiba a tempo, antes deles viajarem para o Rio de Janeiro. A solução foi mandar entregar na casa da minha tia lá em “Uhuuu!” Nova Iguaçu, pois o prazo de entrega lá era menor. Mais uma vez fico admirado com essa tal da internet. No dia da entrega, meu pai conseguiu acompanhar à distância em “real time” o caminho que os entregadores estavam fazendo. “Não, ele está entrando na rua errada… Vai ter que dar meia-volta…. Num falei, num falei…. Tá pensando o que…”. Imagina só, o motorista encosta para ir ao banheiro na padaria e fica parecendo que ele foi tomar uma no bar da esquina. Mas o importante é que eles encontraram o caminho, como sempre, bem, quase sempre.
Alguns dias depois, malas feitas e todos a bordo. Curitiba > Rio de Janeiro é uma viagem longa e um pouco cansativa. Mas eles já são profissionais nisso, saem bem cedinho de casa e otimizam o tempo das paradas. São 5 minutos para ir ao banheiro, 30 para almoçar, pronto. Às vezes o almoço é apenas uma janta no destino final. E chegando lá é jantar, tomar um banho e descansar. Ah sim, dessa vez também tinha que brincar com o notebook novo.
Ele ainda estava na caixa lacrada, cheirando a novo. Posso até imaginar aquela ansiedade de criança quando ganha um presente. Rashhhhhhh! Tira a primeira fita adesiva. Rooooooooooush! Rasga a embalagem de papelão. Plac! Plac! Plac! Estoura o papel bolha. E de repente, roubando a atenção de todos que estavam na casa, o silêncio. Foram alguns segundos tentando entender o que tinha acontecido. O modelo não estava correto, não era essa a cor que tinham escolhido, onde estava a tela widescreen. Nada, no meio de toda aquela embalagem tinha apenas uma torradeira.
Minha irmã pensou “Claro, minha tia deve estar zoando comigo!”. Não estava. “Ah, então meu pai deve ter feito a troca para me enganar!”. Também não. “Então, acho que foi o meu tio. Só pode. Ele deve ter escondido o notebook quando entregaram!”. Menos ainda. Foi 1 dia inteiro pensando que alguém da família estava fazendo uma brincadeira. Quando todos começaram a desconfiar que realmente ninguém sabia o que tinha acontecido, decidiram entrar em contato com o Submarino.
Realmente houve um problema na entrega. Minha tia que recebeu o produto nem percebeu pois as caixas de entrega do Submarino são de tamanhos padrões. Mas, vamos em frente. Para minha irmã foi só uma questão de tempo, já que agora só conseguiria receber o produto novamente quando retornasse a Curitiba. Eu fico é pensando no coitado que recebeu o notebook. Tava feliz da vida com o brinquedinho quando de repente “Toc! Toc! Toc! blábláblá… desculpe pelo inconveniente… blábláblá… sim, o senhor precisa devolver… blábláblá… muito obrigado!” e a vida volta ao normal. Triste realidade.
Acho que a única pessoa que talvez teria gostado dessa confusão seria o meu amigo, pois poderia saborear outras 6 fatias de pão com uma fina camada de manteiga derretida.